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quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Novidades ecológicas para a construção civil chegam às construtoras

Madeira plástica entra em obras realizadas no Brasil para adequação das exigências sustentáveis

Cada vez mais o empresariado da construção tem adquirido consciência ecológica em suas obras. Desde que ficou determinado que as construtoras de imóveis que recebem financiamento da Caixa Econômica Federal teriam que se adequar às novas exigências sobre a compra de madeira legalizada, muitos passaram a adotar a madeira plástica ecológica e outras alternativas sustentáveis.

O desmatamento na Amazônia voltou a subir em junho, de acordo com levantamento da organização não governamental Instituto do Homem e do Meio Ambiente da Amazônia (Imazon). Os satélites registraram 172 quilômetros quadrados de desmate, aumento de 15% em relação a junho de 2009. O Pará liderou o desmatamento no mês, com 115 km2 de floresta derrubada (67% do total de junho), seguido pelo Amazonas, com 22 km2 de desmate, e por Mato Grosso, que perdeu 18 km2 de vegetação nativa. Diante disse, empresas que investem em obras apostam na construção sustentável.

Construção sustentável é aquela que dispõe de uma série de procedimentos obrigatórios para que, ao final, o produto seja uma unidade residencial ou comercial que o cliente compre com a tranquila consciência de que, o empreendimento foi feito co uso de uma mão de obra racionalizada incluindo medidas ambientais corretas como uso de soluções ecológicas e geração de menos resíduos sólidos, aproveitamento da luz do dia para a iluminação, das janelas para a ventilação natural, uso de madeira certificada e também a madeira plástica ecológica. A verdade, é que não basta, apenas ter o selo verde. A construção sustentável agrega ainda toda a cadeia produtiva, o "green job" (emprego verde).

Fornecer para esse público é o objetivo das empresas Wisewood (SP) e Ecowood (RJ). As empresas, do mesmo segmento, fabricam a maderia plástica ecológica. Assim como a Ecowood, a Wisewood utiliza milhares de toneladas de resíduos recicláveis que são coletados por meio de parcerias firmadas entre cooperativas de catadores de sucatas, prefeituras, distribuidoras de lubrificantes, fabricantes de óleos e fábricas de reciclagem.

A diferença básica entre as duas empresas está no tipo de produto que fabricam. A Wisewood produz dormentes (vida útil mínima de 50 anos para ferrovias), pallets (ideais para as aplicações que exigem resistência a intempéries, imunidade a cupins e insetos e facilidade de higienização) e estacas para tutoramento de plantios e jardinagem.

Já a Ecowood fabrica peças para decoração na cartela de produtos como pisos para exteriores e interiores, mobiliário externo, lambris e afins. Todos os produtos fabricados são vendidos diretamente pela empresa e possui apelo funcional, o que chama a atenção de designers e arquitetos.

A madeira não precisa de certificação, por uma simples razão: apesar de muito semelhante a madeira comum, ela é produzida por meio de material reciclado, advindo de fibras vegetais e plásticas. "Não há como negar a beleza da madeira nos projetos, e ter esta opção sem prejudicar o meio ambiente e poupando as árvores é o nosso objetivo", salienta Amélia Touriño, arquiteta da Ecowood.[www.ecowoodrio.com.br].

Fonte: AEC Web

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Madeira Plástica

Um material ecológico por natureza

Neste artigo trataremos de aspectos técnicos e de possibilidades de aplicações de tal material.

O que é?

O que chama-se de madeira plástica é um material composto produzido pela reciclagem de determinados polímeros (popularmente plásticos), com destaque para o polietileno de alta densidade (PEAD, que é o plástico do que se faz baldes, embalagens de detergente ou garrafas de álcool para uso doméstico, por exemplo).
É considerado hoje um dos mais dinâmicos mercados e somente nos EUA seu valor é estimado em mais de 5 bilhões de dólares.[1][2][3]
Tais polímeros podem ser adicionados de outros materiais reciclados, que são chamados “cargas”, como a serragem de madeira, o carbonato de cálcio, o caulim (um tipo de argila branca em pó), a “borra de celulose” (resíduos mais pesados, de fibras grosseiras, da reciclagem de papel e papelão, inadequados para a produção de determinadas formas de derivados de celulose), pigmentos que lhe confiram cor desejada e plastificantes, que são produtos químicos que conferem uma certa “plasticidade”, como a flexibilidade adequada à perfuração, por exemplo. Desta maneira, pode-se definir a madeira plástica como um material “compósito”, produzido pela mistura de dois ou mais materiais de natureza completamente diferente que lhe conferem propriedades e custos adequados.
São citadas ainda a composição com outros polímeros, como o poliestireno (PS), que embora relativamente incompatível com o polímero parafínico PEAD, é misturado a este por novas tecnologias[4], dando-lhe maior resistência à tração e mais rigidez, especialmente em peças de grandes comprimentos. Destaca-se o uso como material básico de polipropileno (PP), igualmente parafínico, e o acréscimo de outros polímeros, como o polietilenotereftalato (PET), a espuma vinílica acetinada (da matéria prima etilenovinyl acetato, EVA)[5], assim como o cloreto de polivinila (PVC).[6]
O processo mais usual de sua conformação é a extrusão em perfis de variadas seções transversais.
Uma extrusora típica para madeira plástica (allproducts.com).

Sua origem

A madeira plástica nasce e desenvolve-se como produto que alia aproveitar um volume de polímeros recicláveis mas com determinado decaimento de suas qualidades originais (não permitindo a reconformação em objetos de mesma natureza dos originais) e a crescente preocupação com a responsabilidade ambiental. Dadas suas características mais fundamentais, é extremamente adequada a substituir a madeira em diversas de suas aplicações.

Quais suas propriedades e vantagens?

A madeira plástica apresenta determinadas vantagens em relação as propriedades da madeira e mesmo supera para determinadas aplicações as propriedades de diversos metais. Estas propriedades dependem da composição e do cargueamento.
  • A madeira plástica é resistente à corrosão, que afeta os metais, especialmente os derivados de ferro, como os aços.
  • Não absorve umidade, ao contrários das madeiras.
  • É resistente a diversos produtos químicos agressivos, como os ácidos e os álcalis (como a soda cáustica), assim como a muitos solventes tanto de uso doméstico quanto profissional, como o aguarrás. Tal característica permite sua limpeza com simples água e sabão ou qualquer detergente, tanto industrial quanto doméstico. Nesta característica, exatamente como qualquer “tábua de carne” ou como material médico-laboratorial, sua limpeza adequada pode até garantir uma significativa redução de microorganismos, ou mesmo a esterilização química, pois não possui porosidades que abriguem microorganismos e umidade.
  • Apresenta significativa resistência à exposição ao Sol.
  • Alta resistência superficial à chuva e umidade (contrariamente à madeira), permitindo ser enterrada, por exemplo, sem grandes cuidados com proteção.
  • Por ser exatamente um “plástico”, possui as qualidades de conservação que são exatamente os problemas ecológicos dos plásticos, como a baixa degradabilidade pelas bactérias, mofos e fungos, insetos (como os cupins) e outros artrópodes. Também não é atacada por roedores e aves.
  • Ao contrário da madeira, não forma farpas pelo corte ou fratura, abrasão ou envelhecimento, não racha nem quando lhe são inseridas fixações, como pregos ou ainda cunhas, por exemplo, pois não apresenta a orientação de fibras que possui a madeira.
  • Possui maior agarre à fixações, tanto de pregos quanto de parafusos, e pela sua baixa absorção de umidade, não colabora para a oxidação destes, protegendo-os, exatamente porque nas interfaces com estes, comporta-se como um filme protetor plástico.
  • Possui estabilidade estrutural e química no tempo, não empenando-se (curva-se) pelo secamento ou envelhecimento.
  • Pode ser trabalhada, dentro de determinadas limitações como o aplainamento e a fresagem, com ferramentas idênticas às usadas para os trabalhos em madeira.
  • Sendo um material passível de ser pigmentado das mais diversas cores e com diversos tipos de pigmentos, como qualquer plástico, não necessita ser pintada (e inclusive, pode impedir a pintura trivial, como as pichações). Pode ser conformada em sua superfície com diversas texturas, como lisas ou rugosas, adequadas a diversas aplicações.
  • Visualmente, pode ganhar aspecto muito semelhante, e dependendo da pigmentação e textura, quase idêntico a madeira.


Aspectos de madeira plástica idênticos aos de madeira e exemplos de pigmentação (milesbradley.com, thomasnet.com e Wikipedia).
  • Permite a substituição de diversas madeiras raras, como a maçaranduba ou itaúba, em muitas aplicações onde qualquer de suas propriedades, como a resistência à água, sejam desejadas.
  • Sua comercialização pode se dar aos mesmos moldes da madeira convencional, e ainda permitir formatos impensáveis para a madeira em determinadas dimensões, como perfis em L, U ou X, tubos arredondados ou quadrados, ou ainda formatos perfis e formatos sob encomenda, já com texturas específicas.
Perfis de madeira plástica similares aos de madeira (cltad.arts.ac.uk).
Perfis de madeira plástica praticamente impossíveis de serem obtidos com madeira
(www.made-in-china.com e qrbiz.com).
É de se observar que tanto na questão pintura (no caso da madeira plástica, pigmentação) quanto de textura, a manutenção da madeira plástica apresenta grandes vantagens, pois seu desgaste implica apenas em perda de volume, e não signifiativa perda de coloração, pois todo seu volume é pigmentado, e não apenas sua superfície. Já a manutenção da textura pode ser obtida com muito mais simples tratamento por calor, pois seu volume perdido não implica em modificação das características físicas do volume restante.